O artigo discute o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) como marco na formação docente por requalificar a presença de licenciandos e licenciandas nas instituições educativas, conferindo continuidade, intencionalidade formativa e corresponsabilidade entre universidade e escola. Argumenta-se que o programa tensiona e amplia lógicas historicamente associadas ao estágio, frequentemente marcadas por observação e imitação, ao convocar docência como investigação, na qual futuros(as) professores(as) aprendem a ler situações, decidir e assumir responsabilidades em contextos reais, heterogêneos e imprevisíveis. Nesse horizonte, os(as) estudantes são incentivados(as) a problematizar o cotidiano escolar, produzir registros e elaborar conhecimento no próprio processo de inserção, reposicionando teoria e prática em “contaminação produtiva”. A reflexão se ancora, ainda, na organização do dossiê “Pibid como política pública e direito social” e na revisitação de relatórios do subprojeto “O trabalho colaborativo para a construção de práticas corporais inclusivas” (2015-2016), como indícios de aprendizagens forjadas no trânsito entre planejamento, intervenção, reflexão e replanejamento do trabalho pedagógico. Ao contrapor racionalidade técnica e racionalidade crítica, o texto sustenta que o PIBID fortalece comunidades de coformação e produz efeitos em dupla direção: nos(as) licenciandos(as), nos(as) supervisores(as) e nos coordenadores(as), reconfigurando práticas, perguntas e compromissos. Por fim, enfatiza que o programa politiza a formação ao explicitar a docência enquanto ato situado, ético e socialmente responsável, reafirmando a escola pública e a universidade na qualidade de instâncias formadoras, em diálogo e corresponsabilidade, ainda que com atribuições e escopos distintos.