O presente texto, de caráter teórico-ensaístico, propõe-se a problematizar o sentido do ato de registrar-escrever ao qual os professores são convocados na contemporaneidade. Num primeiro movimento, descreve o modo como o discurso pedagógico faz o registro docente figurar como um instrumento burocrático de controle, vinculado a uma perspectiva normalizadora de avaliação, posteriormente o ressignificando como dispositivo de reflexão pedagógica, junto a uma concepção formativa de avaliação. Num segundo movimento, recorre aos aportes foucaultianos para desvencilhar-se do aparato avaliativo-reflexivo e sugerir que o registro docente seja pensado e mobilizado como uma técnica de si, que permite ao sujeito-docente agir sobre si mesmo por intermédio da escrita, dispondo-a a uma via de transformação e elisão do eu, traduzida pela noção de experiência. Por fim, interpela o currículo cultural da educação física, nele identificando o acionamento do registro docente segundo um modus operandi oriundo do prisma avaliativo-reflexivo, assim como a abertura de uma brecha-latência que, embora tensionada por incongruências epistemológicas, pode potencializar a emergência do registro como técnica de si nessa teoria curricular. Ao concluir, argumenta que afirmar o gesto escrevente dos professores como técnica de si implica, ao mesmo tempo, afirmar a docência como um ofício-modo de vida ético e inventivo, como prática de liberdade.